4 de jul. de 2008

ANTÍDOTO por Nathielle Wougles

Vi o Lucky Strike junto com o isqueiro vermelho sobre a mesa. Era uma cópia fiel de um quadro de natureza morta, meus olhos estavam magnetizados naquele resto de vício:
- Qué fumá? Perguntou qualquer pessoa da qual não recordo o nome.
- Não obrigado! Não fumo.
Não sei como não corei! Senti-me o maior mentiroso do mundo. Aquela frase saiu da minha boca como um blefe de poker, é claro que fumava... Cínico!
Sentei na cadeira olhando a festa que acontecia ao meu redor, subestimei o óbvio, devia ter fechado os olhos e tragado o Lucky Strike que estava me esperando lá na mesa. MERDA! Gente feliz... Ela feliz, principalmente. Eu sabia do ocorrido da noite passada junto com aquele cara de camisa azul e sabia que ela estava feliz. A nicotina poderia turvar minha visão e confundir minha cabeça facilitando o esquecimento da mulher amada, que não estava me amando, mas sim aquele que agora ela abraça enquanto traga o terceiro Lucky Strike.
Já sentia o volume do cigarro entre meus dedos, o indicador e o dedo médio coçavam, meu pulmão clamava pela fumaça sagrada que me traria o torpor. E esqueceria tudo! Até ela e os braços envoltos na camisa azul. O Ministério da saúde reprimiu, meus amigos, meus pais, a Santa Igreja Católica, eu mesmo me reprimi, porém fui rápido à mesa, abri com raiva a carteira branca, coloquei o cigarro entre os dedos e senti a chama quente do isqueiro perto do meu rosto...
Fumei! Fumei mesmo. Engoli a fumaça leve, senti tontura, músculos relaxados... E soltei a fumaça devagar, com volúpia. Ri. E aquele muro cinza-nebuloso se fez na minha frente. Ali, escondido, esqueci da festa, da música, dos interlocutores incessantes, dela.

Eu fumo pelo bem da minha saúde... Mental!!!!!!!!!!

6 comentários:

Patrick Lubawski disse...

quando li o texto sem um final, pensei que não seria possível terminá-lo de uma forma tão fascinante! me enganei! o final simples, direto e sem enrolação completou de forma brilhante o conto!!! simplesmente VICIANTE!

Caos com Calma disse...

É praticamente o Elixir do Esquecimento!!! SAHSUAHSUHAUSH :D

Anônimo disse...

é inesplicavelmente involvente o texto Nati! *-* o final fico MTO bom baby.. vou deixar minha mente ociosa e psicografa algum desabafo mental tbmpra coloka aqui *-*
Perfeito o Blog nati!
;*

Anônimo disse...

Criatividade a mil...
Uma forma de recordações do pensamento filosofo de Nathielle..

hahahha Beijos Alexandre

Jura Arruda disse...

Se eu já era fã dessa menina no palco, agora sou fã dela também no papel... Quer dizer, na tela do computador. Caraca, Nathy! Seu texto é muito bom. Não para, não para, não para. hahaha. Beijão

Anônimo disse...

a vida e suas facinantes inutilidades,ganham forma e conteudo, quando sao espressas de forma gentil mesmo que leviana e sarcastica, mesmo que tacanha e inprudente...
a casualidade dos fatos e a desimportancia de acontecimentos
ganham creditos e sao congratulados nas maos e nas mentes dos escritores mais brilhantes!!! de coracao... tu escreve igual gente grande!