25 de jul. de 2008

O QUE MUDOU? por Djousi

Nas paredes frias... onde agora nos encontramos as escondidas...

Sem pudor e sem magoas... ali está nossa fortaleza!

Algo mudou no mundo? Ou nos mudamos este mundo de regras e leis?

Existe muito mais entre os pedidos e os consentimentos...

Mentes vazias atraem a angustia.

E a solidão faz com que a amargura apenas aumente!

A vontade de viver se vai junto a seus pedidos...

E Sua obsessão, abafa seu bom humor.

...seus sorrisos se escondem atrás de suas verdades.

E angustiado imagina tudo de sua forma...

A verdade esta bem atrás das paredes de seu quarto... tão próxima que não as enxerga!

E ela se dissolve junto ao pudor deixado pra trás.. que leva com ele as regras fúteis de uma convivência banal!

Mais a quem está enganando?

Quem ira chorar quando vir à tona o que faz?

Não sou eu!

Talvez seja você. Então se prepare...

Pois a solidão chega tão depressa quanto a paixão!

22 de jul. de 2008

23:03 por Iara Mendes

De que anomalia vocês sofrem vermes decaptáveis, agindo e invadindo corpos que devolvem seus olhares pecaminosos com sorrisos afáveis, brincam com o interior, apenas pela pura vontade de egocentrismo vitorioso?
Verdades e carências que deixam serem subentendidos pelo gozo da carne. Palavras e mais palavras que preenchem a falta sem nenhum sustento.
Dúvidas que se cegam de luxúria e de sensação de complemento. A sujeira que esvai dos seus poros contamina e marca até o fim dos dias aquilo que era utopia.
Artimanhas desgastadas pelo tempo. Prepara o plano, monta o circo, escolhe a vítima e contempla-a com o golpe do olhar.
Desgraçado seja o que envia e deserda a honra do próprio respeito!

17 de jul. de 2008

DILEMA por Patrick Lubawski

“Pensei, logo existi.”


...nasci,
chorei e sorri,
parei, andei e corri,
viajei, curti, explorei e entendi
olhei, toquei, cheirei, degustei e ouvi,
cheguei, entrei, fiquei, voltei, esperei e parti,
tirei, dobrei, amassei, coloquei e prendi,
brinquei, bebi, trabalhei e comi,
provei, estranhei e escolhi,
plantei e colhei,
cresci,
criei e destruí,
acreditei, esperei e fugi,
fechei, tranquei, vigiei e abri,
sujei, molhei, limpei, sequei e torci,
comprei, dei, roubei, doei, leiloei e vendi,
casei, cortei, separei, resgatei e uni,
anulei, prometi, devastei e iludi,
humilhei, culpei e ofendi,
acordei e dormi,

...sonhei...

batalhei e consegui,
levantei, lutei e venci,
amei, lembrei, odiei e esqueci,
inventei, gostei, mostrei, indiquei e sugeri,
desabafei, preocupei, poupei, decifrei, tratei e reprimi,
cantei, gritei, vibrei, xinguei e aplaudi
rabisquei, apaguei, escrevi e li,
perdoei, menti e traí,
cobrei e prometi,
vivi,
continuei e prevaleci,
magoei, machuquei e senti,
pacifiquei, fortaleci, guerreei e enfraqueci,
suei, tremi, interpretei, espantei e compreendi,
joguei, apostei, assustei, paguei, entreguei e consumi,
ganhei, perdi, procurei, achei e escondi,
bati, fracassei, apanhei e caí,
ajoelhei, cansei e desisti,
ensinei e aprendi,
morri...


“Existi, logo pensei.”

O QUE VOCÊ FEZ DIFERENTE DE MIM?

15 de jul. de 2008

"Eu-Sozinho" por Nathielle Wougles

Coloquei as mãos no bolso do casaco (ventava muito aquela noite).

Baixei a cabeça e a balancei, tentando dissipar alguns pensamentos (de nada adiantou).

Senti aquela dor inalcançável entre meus pulmões (respirei fundo).

Saiam da minha boca suspiros oriundos não sei donde (provavelmente do peito).

Sem saliva, mordi lábios e rangi dentes (nuvens nos olhos).

No corpo haviam calor e frio: rosto rubro, mão gelada (respirei fundo mais uma vez).

Não olhei para trás: aqueles restos metafísicos... E chorei (como se fosse a primeira vez que fizera aquilo).



P.S: não consigo amar o tempo e odeio os relógios!

11 de jul. de 2008

PALAVRAS por Patrick Lubawski

Para alguém especial

Impressionante como as palavras ferem, não queimam como o fogo, não cortam como o aço forjado e não dizimam como uma bomba, no entanto, as palavras provocam um mal irreversível no órgão responsável pelos sentimentos mais puros, belos, sinceros e agradáveis, o coração!

Palavras transformam o rosto mais bonito num monstro desfigurado,
palavras fazem o olhar mais sincero parecer um blefe do poker,
palavras convertem o sorriso mais honesto no mais amarelo.

O ser humano, o ser “racional” é agraciado com a capacidade da comunicação através das palavras, infelizmente, muitos de nós não fomos abençoados com a competência necessária para entendê-las.
Isto não acontece porque somos ignorantes, mas sim porque temos a imprudência de querer ler e ouvir apenas o que queremos!

Palavras são sempre as mesmas,
o que mudam são as intenções,
não importa como são escritas ou ditas,
mas sim como são interpretadas.

9 de jul. de 2008

TINTAS por Nathielle Wougles

Era uma artista renomada, com carreira internacional, reconhecida por todos! Seus quadros enfeitavam de arte as parades daqueles que usam o dinheiro como trivialidade. Era muito rica e tinha apenas 30 anos.
Não sabia o por quê do seu ofício... Pintava desde sempre, desde quando sua cordenação motora permitia e sabia que era ótima! Quando lhe perguntavam sobre sua profissão, ela ficava sem resposta, como se as tinta que usava nas telas sujassem sua memória de vários tons diferentes. Não sabia de nada sobre as telas brancas, sobre as tintas-óleo, sobre os pincéis... Só amava aquilo com uma força bruta!
O dinheiro já tinha lhe comprado tudo, exceto uma coisa, seu sonho utópico e fervente: o quadro Puberty de Edvard Munch! Tinha fascínio por ele, pelas cores, pelas expressões, pelos tons... Munch era seu pintor preferido e buscava ter em seus quadros a mesma atmosfera que ele tranferia ao leitor/admirador.
Comprou! Seu último sonho foi realizado, sentia-se pronta para morte. Depois daquela compra nada mais importava...Nem o cheque que assinou com vários zeros e um cifrão absurdo.
Era a hora de escolher o local onde o quadro seria endeusado. Pensou minusiosamente no local, sua iluminação, tudo! Colocou-o no ângulo agudo formado pelo ateliê e a sala... Ali estava ele pronto para ser admirado. Como era lindo, Meu Deus! (era tão cética...).
Depois de horas, minutos, segundo fitando Puberty, resolveu retomar suas atividades normais, agora sendo observada pelo quadro...
Algumas semanas se passaram e fazendo a passagem entre o ateliê e a sala, lá estava a obra, parecia tão inocente, de uma inocência que ela já não tinha nem vestígios! Com uma paleta de misturas na mão parou em frente ao quadro e ficou entorpecida pela inocência da puberdade que (como sempre), não lembrava se já passara por isso. Era uma linha tênue que separava a menina da mulher, assustadoramente frágil. Tentou puxar na memória qualquer lembraça de seus 11 anos, mas só apareciam imagens de tintas de diversas cores, de misturas, de tons, de composições nunca antes imaginadas e que ela conseguia achar... Não lembrava de nada retórico que Puberty lhe transmitia.
Irritou-se, como Munch conseguia passar toda essa emoção num quadro???
Voltou ao ateliê e examinou suas obras: nenhuma delas tinha sentimentos próprios, eram as lembranças de outros, sentimentos absorvidos porque nunca passara por nada, deixava tudo do lado de fora da sua alma. Os quadros de sua autoria não passavam de plágios das sensações mortais!
Voltou ao ângulo agudo, onde Munch descansou seu pincel. Com ódio jogou a paleta de tintas sobre o quadro maculando-o de todas as tintas possíves, esfregou aquela mistura horrenda com todos os covardes intuitos humanos. Voltou dois passos com as mãos cheias de tinta que no momento pareciam sangue em suas mãos: acabara de assassinar Puberty!
Pronto, ali estava um quadro seu, com sentimentos seus. Um quadro retratando o ódio do vazio!

"AQUI JAZ UM EU QUE NÃO EXISTE MAIS!"

7 de jul. de 2008

DISPARATE por Patrick Lubawski

Chegou em casa como sempre, como todos os dias anteriores,

cansado, estressado, deprimido,
desacreditado, abalado, carcomido!

No entanto, um sorriso tomou conta de sua face agonizada, sua mente normalmente vazia e monótona havia despertado, sentiu uma vontade, um desejo, uma imensa necessidade de escrever.
Assim como uma minhoca que está segura abaixo da terra, ele se sentia seguro no seu pequeno mundo, más não,

nesse dia algo diferente rondava o ar,
ele tinha de escrever, algo novo a relatar!

Sabia que corria um risco, pensou na minhoca que quando sai do subsolo e vai de encontro ao sol, se agita, debate, agoniza e morre! Um pequeno receio o atormentou, mas não o suficiente para lhe fazer desistir!

-Tenho algo novo para escrever, e vou faze-lo!

Procurou uma caneta, ficou satisfeito ao encontrar um lápis, tinha que começar a escrever antes que as idéias fugissem. Um caderno? Nada! Só encontrou um anúncio de uma nova loja que acabara de se instalar na região.!

-Isto serve!

Sentou, estralou os dedos, pensou em levantar e pegar uma xícara de café, pois o cansaço estava tomando conta de seu corpo em frangalhos. Mas não! Não levantou, foi valente e determinado, também não poderia, o fato de levantar o faria esquecer das novas e belas palavras que estava prestes a passar para o papel, idéias que a muito tempo não surgiam em sua cabeça. Não se entregou a cafeína!
Colocou a ponta do grafite no papel...

...Silêncio, absoluto devaneio de uma mente inerte...

-Não! Como posso ser tão tolo?

Subitamente uma sutil realidade lhe abateu. Sutil como um trem que descarrila!

-Como posso ser tão tolo?

Repetiu a si mesmo, e por um breve momento se sentiu envergonhado. Sentiu-se como um verme que está prestes a sair do seu buraco e ir de encontro com os raios solares!
No instante que havia colocado o lápis no papel ele dirigiu sua visão a um quadro pendurado em frente à mesa, analisou aquele quadro barato e imaginou quantas pinturas semelhantes já não foram pintadas. Nem melhores e nem piores, apenas parecidas! Daí foi mais longe, lembrou de uma música que havia escutado mais cedo no trabalho, e a comparou com outra. De fato eram muito parecidas e se assemelhavam ainda mais agora. Seu desejo de escrever algo novo havia esbarrado numa velha dúvida!

-O que é novo?

Ansiedade, raiva, desespero, angústia, ódio...
Sim, sentiu todos esses e mais uma dezena de sentimentos vazios e horrendos que tomavam o lugar das belas palavras que já fazia questão de esquecer!

-Algo novo?

Pensou na sua ignorância, era apenas um motorista de ônibus, como poderia ter a audácia de querer escrever algo novo? Já tinha lido Aluísio Azevedo, Machado de Assis, Cruz e Souza e outros escritores, gostava de literatura, isso na sua infância, pois mais tarde recebera os ensinamentos corretos de seu pai – Escrever e ler não vai te encher a barriga moleque! – assim chegou a conclusão de que seu pai estava certo(eles sempre estão), então abandonou os livros, e foi fazer algo útil, algo que lhe desse futuro e conhecimento de verdade, pois aprendemos na prática, e não na leitura!
Agora essa vontade havia retornado. Porque escrever? Porque se aventurar em algo que não o levaria a nada? Felizmente para ele o óbvio de que “nada se cria” lhe tomou conta, pois afinal, palavras são todas iguais, um lápis no papel não significa mais nada além disso!

“Um lápis no papel e palavras repetidas”

Sentiu-se aliviado, quase cometera o despautério de escrever, de “ser um poeta”. Sua face rubrou, as pontas dos dedos levemente soltaram o lápis, encostou-se na cadeira e voltou a lembrar na xícara de café!

-Que tolice, não há nada a escrever, não há nada novo!

Levantou-se, abriu o armário e pegou sua xícara preferida, uma que tinha um pequeno lascado perto da asa, destrancou a garrafa térmica azul, despejou o líquido negro, saboroso (amargo como ele apreciava) e viciante, tomou um gole e sentiu como se estivesse sendo inundado pelos sabores que só o café lhe proporcionava, olhou para a mesa, viu o folheto e se interessou. Afinal de contas, a noite não estava totalmente perdida,

havia uma loja nova na cidade
algo novo de verdade!

Passou a mão no folheto, os olhos fixados nas ofertas, dirigiu a xícara aos lábios, degustou um segundo gole, as pupilas dilataram:

-Doze vezes sem juros? Essa loja nova é uma maravilha!

Velha inocência!

4 de jul. de 2008

ANTÍDOTO por Nathielle Wougles

Vi o Lucky Strike junto com o isqueiro vermelho sobre a mesa. Era uma cópia fiel de um quadro de natureza morta, meus olhos estavam magnetizados naquele resto de vício:
- Qué fumá? Perguntou qualquer pessoa da qual não recordo o nome.
- Não obrigado! Não fumo.
Não sei como não corei! Senti-me o maior mentiroso do mundo. Aquela frase saiu da minha boca como um blefe de poker, é claro que fumava... Cínico!
Sentei na cadeira olhando a festa que acontecia ao meu redor, subestimei o óbvio, devia ter fechado os olhos e tragado o Lucky Strike que estava me esperando lá na mesa. MERDA! Gente feliz... Ela feliz, principalmente. Eu sabia do ocorrido da noite passada junto com aquele cara de camisa azul e sabia que ela estava feliz. A nicotina poderia turvar minha visão e confundir minha cabeça facilitando o esquecimento da mulher amada, que não estava me amando, mas sim aquele que agora ela abraça enquanto traga o terceiro Lucky Strike.
Já sentia o volume do cigarro entre meus dedos, o indicador e o dedo médio coçavam, meu pulmão clamava pela fumaça sagrada que me traria o torpor. E esqueceria tudo! Até ela e os braços envoltos na camisa azul. O Ministério da saúde reprimiu, meus amigos, meus pais, a Santa Igreja Católica, eu mesmo me reprimi, porém fui rápido à mesa, abri com raiva a carteira branca, coloquei o cigarro entre os dedos e senti a chama quente do isqueiro perto do meu rosto...
Fumei! Fumei mesmo. Engoli a fumaça leve, senti tontura, músculos relaxados... E soltei a fumaça devagar, com volúpia. Ri. E aquele muro cinza-nebuloso se fez na minha frente. Ali, escondido, esqueci da festa, da música, dos interlocutores incessantes, dela.

Eu fumo pelo bem da minha saúde... Mental!!!!!!!!!!

3 de jul. de 2008

Porque TEATRO? por Patrick Lubawski

Quando falei da apresentação da minha peça, muitos me perguntaram, porque teatro? Porque teatro quando você pode fazer medicina, contabilidade, advocacia ou outras tantas profissões mais rentáveis? Porque teatro se seu trabalho demora para ser reconhecido, se as críticas são muitas e os elogios escassos, se cada momento que antecede uma apresentação é tão intenso que chega a lhe dar arrepios nos ossos? Porque teatro se você ensaia, se empenha, tem que ouvir o diretor dizer que está bom, mas é claro, sempre pode estar melhor?Então... Porque teatro?
Bem, não sei ao certo, talvez porque eu não seja normal. Com certeza não sou. Certamente também não tenho a precisão cirúrgica e a frieza de um médico, não possuo a habilidade numérica de um contador e não nasci com a agilidade e influência de um advogado!
Críticas? Sim, é claro que elas existem e qual seria a graça de não existirem? As críticas servem unicamente para dar um solavanco em nosso trabalho, no esforço e na dedicação. Críticas ruins nos deixam descrentes, é verdade, mas também nos ensinam a corrigir os erros e a aprender com os vacilos. Críticas boas sempre são bem vindas, nos elevam a auto-estima e demonstram o reconhecimento do nosso esforço, no entanto elas não me iludem, principalmente porque sei do trabalho que pretendo fazer! O diretor sempre pega pesado? Que bom, sinal de que tenho o que aprender e felizmente, alguém está disposto a me ensinar! A tensão, o nervosismo, a ansiedade anterior a apresentação arrepia, dá frio na barriga, vontade de urinar a cada cinco minutos e sair correndo pra algum lugar o mais rápido possível, no entanto, quando a peça chega ao fim a tristeza toma conta!
TRISTEZA?
Não sei se esta é a palavra certa, mas o que sentir quando algo acontece tão rápido e de maneira tão intensa que uma hora parece passar em dez minutos? O que sentir quando aquela tensão, aquele nervosismo fazem tanta falta que só são substituídos pelas palmas e sorrisos? O que sentir quando a vontade de correr se transforma em vontade de parar...parar...parar diante das cadeiras já vazias, parar no palco e pensar quando será a próxima oportunidade?
Então, a partir daí, uma hora torna-se um ano, pois cada dia longe desta ansiedade, cada dia longe dessas críticas, cada dia longe da platéia fica parecendo um século.
Posso estar enganado, mas medicina, contabilidade e direto não nos levam aos extremos desta maneira. Estas sensações, emoções, angústias, desesperos, prazeres só o teatro proporciona!
É isto que quero sentir, é isto que quero fazer, é isto que quero viver!
Por estes motivos eu escolhi o TEATRO!