Quando falei da apresentação da minha peça, muitos me perguntaram, porque teatro? Porque teatro quando você pode fazer medicina, contabilidade, advocacia ou outras tantas profissões mais rentáveis? Porque teatro se seu trabalho demora para ser reconhecido, se as críticas são muitas e os elogios escassos, se cada momento que antecede uma apresentação é tão intenso que chega a lhe dar arrepios nos ossos? Porque teatro se você ensaia, se empenha, tem que ouvir o diretor dizer que está bom, mas é claro, sempre pode estar melhor?Então... Porque teatro?
Bem, não sei ao certo, talvez porque eu não seja normal. Com certeza não sou. Certamente também não tenho a precisão cirúrgica e a frieza de um médico, não possuo a habilidade numérica de um contador e não nasci com a agilidade e influência de um advogado!
Críticas? Sim, é claro que elas existem e qual seria a graça de não existirem? As críticas servem unicamente para dar um solavanco em nosso trabalho, no esforço e na dedicação. Críticas ruins nos deixam descrentes, é verdade, mas também nos ensinam a corrigir os erros e a aprender com os vacilos. Críticas boas sempre são bem vindas, nos elevam a auto-estima e demonstram o reconhecimento do nosso esforço, no entanto elas não me iludem, principalmente porque sei do trabalho que pretendo fazer! O diretor sempre pega pesado? Que bom, sinal de que tenho o que aprender e felizmente, alguém está disposto a me ensinar! A tensão, o nervosismo, a ansiedade anterior a apresentação arrepia, dá frio na barriga, vontade de urinar a cada cinco minutos e sair correndo pra algum lugar o mais rápido possível, no entanto, quando a peça chega ao fim a tristeza toma conta!
TRISTEZA?
Não sei se esta é a palavra certa, mas o que sentir quando algo acontece tão rápido e de maneira tão intensa que uma hora parece passar em dez minutos? O que sentir quando aquela tensão, aquele nervosismo fazem tanta falta que só são substituídos pelas palmas e sorrisos? O que sentir quando a vontade de correr se transforma em vontade de parar...parar...parar diante das cadeiras já vazias, parar no palco e pensar quando será a próxima oportunidade?
Então, a partir daí, uma hora torna-se um ano, pois cada dia longe desta ansiedade, cada dia longe dessas críticas, cada dia longe da platéia fica parecendo um século.
Posso estar enganado, mas medicina, contabilidade e direto não nos levam aos extremos desta maneira. Estas sensações, emoções, angústias, desesperos, prazeres só o teatro proporciona!
É isto que quero sentir, é isto que quero fazer, é isto que quero viver!
Por estes motivos eu escolhi o TEATRO!