Embora sua aparência física não seja importante, descrevê-lo-ei.
Era feio, olhos castanhos, nariz e queixo exageradamente grandes e uma boca minúscula. Não era baixo, nem alto, na verdade tudo nele dependia do ponto de vista de quem o visse. Alguns lhe achavam chato, outros interessante, porém todos concordavam que tratava-se de uma pessoa de inteligência única. Sabia tudo a respeito de... tudo. Quando perguntado sobre qualquer assunto sempre fingia estar pensando no que dizer (embora soubesse exatamente como responder a pergunta instantaneamente de três formas diferentes, uma mais detalhada que a outra). Tinha para si que não responder na hora lhe daria uma aparência mais filosófica.
Fazia cara de superior, exalava um ar de inteligência vinda dos deuses. Preocupava-se com coisas fúteis, desesperava-se ao imaginar sendo questionado sobre algo e não ter argumentos ilimitados para dar prosseguimento à discussão.
Lia muito, trocava amizades por solidão, sua vida limitava-se a necessidade de adquirir conhecimento. Não suportava a idéia de ir mal em alguma prova (mal para ele era não tirar nota máxima, óbvio). Repudiava as pessoas que não eram providos de uma capacidade geniosa como ele.
Tinha sonhos e desejos. Terminou o ensino médio aos treze, entrou na faculdade e saiu em seguida, formado aos dezessete. Mestrado e doutorado foram consequências naturais e aos vinte e cinco anos começou a se preocupar em ser rico.
Passara num concurso (nunca reprovara em nada). Porém como não tinha amigos, ninguém lhe parabenizou e ninguém sentiu sua falta.
Algum tempo depois foram a sua procura, pois não começou a trabalhar, não aparecia em lugar algum para se vangloriar, assim como sua humildade sumiu logo aos cinco anos, quando descobriu ser “superior” aos outros, ele desapareceu a vista de todos logo depois de ser chamado para começar no cargo que sempre quis.
Encontraram-no alguns dias depois, morto em sua casa, sozinho, cercado de livros de medicina e com os punhos cerrados. Deu fim a própria vida e ninguém conseguia entender o que passara em sua cabeça. Várias foram as hipóteses, porém nenhuma parecia plausível.
Descobriram mais tarde o motivo.
Para assumir o cargo que lhe era de direito, passou por alguns exames físicos e mentais. O resultado desses acabaram com sua vida, suicidou-se por não suportar tal humilhação.
Soube o quanto a vida era cruel, pois ele que era preparado para tudo, esqueceu de tomar algumas medidas simples como se alimentar bem. Não teve dúvidas em tirar a vida quando descobriu que havia reprovado no exame de fezes.