24 de ago. de 2008

DESCONECTADOS POR PRAZER! por Bruna Lopes

Sinceramente... Nunca fui chegada ao gosto popular! Sempre fui fiel ao cigarro queimando, meu LP e a garrafa de whiski, um meio-fio qualquer, meu All Star surrado, vivido... Cheio de histórias em cada fibra...
Às vezes curtia, sabe, ficar em cima do muro contando estrelas, cada trago me levando para longe, AQUI dentro dos meus medos...

Sempre apostei alto, cai do alto, gritei, chorei alto, ri mais alto ainda... Duvidei, subestimei, negociei, deboxei alto também. Quis sumir pra sempre no meu alto infinito... Mas não deu!

Cada esquina, como alguém sem limites, vestida com o escudo dos "sem-vergonhas", apostando um cigarro e um filtro fumado que eu era sim, uma menininha que só queria brincar de dama-da-noite-fora-da-lei!
Caras, bocas, respirações, gemidos, todos meus cúmplices na sintonia perfeita entre meu tesão e Strokes.

Reptilia embala minha incessante procura, ao farol dos desconectados por prazer! Regras? Proibições? Mal visto? Respondo aos berros que minha agenda mal feita não tem lugar para tais mesmices!

O que vou fazer amanhã?



Quem sabe calçar meu All Star, dobras duas ou três esquinas, acender o cigarro e sentar no meio-fio acompanhada da imensidão... Toda ao meu dispor!!!

6 de ago. de 2008

TERMINAL por Patrick Lubawski

Isto até parece um formigueiro, um para cada lado,

desordenados, frenéticos, alucinados,
impacientes, exigentes, desajeitados.

Bem, pensando melhor não há nada a ver com um formigueiro, não estamos em busca de um bem comum para todos. Cada um que está aqui procura o melhor para si próprio.
Tento imaginar qual seria o propósito do senhor de bigode branco, boné azul, jaqueta igualmente azul e camisa gola pólo branca, mastigando sua goma de mascar vertiginosamente, caminhando de um lado para o outro (como se isso fizesse a condução chegar mais rapidamente).

Engraçado, ele aproximou-se de mim e sentou ao meu lado neste exato momento! Minto, ao meu lado não, pois entre eu e o “senhor de bigode” está um rapaz jovem, camisa vermelha, calça jeans azul e tênis branco, usa óculos assim como eu e é um cara muito curioso, pois insiste em querer ler o que estou escrevendo!

Voltando ao “senhor de bigode”, olhando ele sentado e analisando sua calça em frangalhos e seu tênis marrom com detalhes pretos em estado terminal, tento avaliar quantos anos ele segue a mesma rotina, quantos chicletes ele já mascou, quantos passos deu sem o levar a lugar algum... as horas intermináveis que insistem em não passar (mas que ele “pacientemente” insiste em esperar).

Como consegue seguir os mesmos passos ao longo de seus 60 e tantos anos (aproximadamente)?

Estou a duas semanas nessa rotina e já me sinto exausto, será que esse vício da monotonia irá me dominar?
Acho muito difícil, pois sou extremamente independente, tenho vontade própria e...
Putz! Chegou o Dona Francisca, tenho que ir trabalhar!

É... Pensando bem eu não sou tão “independente” assim!

3 de ago. de 2008

ELES por Djousi

As janelas da alma transparecem o que eu não quero contar!

Enquanto tento realmente entender o motivo do sentimento de frustração.

E me pergunto, Por quê? Se não fui eu quem errou...

Mais agora me culpo por algo oculto.

E os olhos contam o que eu gostaria de omitir de mim mesmo.

Fascina-me o teu entusiasmo... É por ele que percebo que

não é passageiro seu sentimento... É pra vida! ...E em seu sentido mais longo.

As janelas mostram o que eu gostaria de esconder do mundo...

e nem mesmo consigo esconder de mim.

Mais tenho um consolo... Pois eles não me machucam mais!

Já estão distantes e ocultos!

Perderam-se em meio a seus próprios erros...

E me deixaram enfim viver!

1 de ago. de 2008

ON THE ROAD por Nathielle Wougles

para Bruh


"Last night she said, oh, baby, I feel so down..." Cantavam Strokes enquanto caminhavam sem saber o porquê no meio-fio de qualquer avenida. O céu estava assim: meio amarelo-rubro-nebuloso. Parecia vômito, mas era bonito... Talvez fosse o efeito avassalador da alta dosagem alcoólica que tinham ingerido nas últimas quatro horas!
Tropeçavam nos All Stars, o branco e o vermelho, um proclama rebelde sobre o asfalto molhado, levando pra qualquer direção exceto pra casa. A fumaça dos automóveis era a mesma que saia das suas bocas, não havia discernimento algum, o que polui também é o que mata!!! "Pra quê pulmão?”
E lá nas escadas, elas observavam a cidade inundada de gente... "Será que sob aqueles olhares há sonhos como os nossos?" Não pararam muito pra pensar, os sonhos: ninguém as deixa sonhar! Mesmo assim elas sonham! E que ele se concretize nesse concreto armado ou naquele ali.
Continuaram, enfim... Ainda estavam no primeiro verso de Last Nite, o gás do isqueiro intacto e o céu relutava em ficar negro.


>>> Qualquer coisa, digam que sumi e fui correr atrás dos meus sonhos!