6 de ago. de 2008

TERMINAL por Patrick Lubawski

Isto até parece um formigueiro, um para cada lado,

desordenados, frenéticos, alucinados,
impacientes, exigentes, desajeitados.

Bem, pensando melhor não há nada a ver com um formigueiro, não estamos em busca de um bem comum para todos. Cada um que está aqui procura o melhor para si próprio.
Tento imaginar qual seria o propósito do senhor de bigode branco, boné azul, jaqueta igualmente azul e camisa gola pólo branca, mastigando sua goma de mascar vertiginosamente, caminhando de um lado para o outro (como se isso fizesse a condução chegar mais rapidamente).

Engraçado, ele aproximou-se de mim e sentou ao meu lado neste exato momento! Minto, ao meu lado não, pois entre eu e o “senhor de bigode” está um rapaz jovem, camisa vermelha, calça jeans azul e tênis branco, usa óculos assim como eu e é um cara muito curioso, pois insiste em querer ler o que estou escrevendo!

Voltando ao “senhor de bigode”, olhando ele sentado e analisando sua calça em frangalhos e seu tênis marrom com detalhes pretos em estado terminal, tento avaliar quantos anos ele segue a mesma rotina, quantos chicletes ele já mascou, quantos passos deu sem o levar a lugar algum... as horas intermináveis que insistem em não passar (mas que ele “pacientemente” insiste em esperar).

Como consegue seguir os mesmos passos ao longo de seus 60 e tantos anos (aproximadamente)?

Estou a duas semanas nessa rotina e já me sinto exausto, será que esse vício da monotonia irá me dominar?
Acho muito difícil, pois sou extremamente independente, tenho vontade própria e...
Putz! Chegou o Dona Francisca, tenho que ir trabalhar!

É... Pensando bem eu não sou tão “independente” assim!

3 comentários:

Caos com Calma disse...

AMEIII a passagem do tempo e a descrição as coisas!!! :D:D:D:D

dá vontade de ficar num terminal e observar as pessoas....

Anônimo disse...

To com a Nathy... Adorei a descrisoes dos fatos, do gesto, da roupa observado pelo mesmo... Parabéns!

Unknown disse...

o exemplo do senhor de bigode nos seus 60 e poucos anos e o que nos faz pensar que ha cada dia e um novo dia e temos sempre que recomeçar .por quantas vezes ja ,mesmo sem perceber ficamos no terminal a observar as pessoas e somos observados muito enteresante isso uma reflequeçao bonito...