7 de jul. de 2008

DISPARATE por Patrick Lubawski

Chegou em casa como sempre, como todos os dias anteriores,

cansado, estressado, deprimido,
desacreditado, abalado, carcomido!

No entanto, um sorriso tomou conta de sua face agonizada, sua mente normalmente vazia e monótona havia despertado, sentiu uma vontade, um desejo, uma imensa necessidade de escrever.
Assim como uma minhoca que está segura abaixo da terra, ele se sentia seguro no seu pequeno mundo, más não,

nesse dia algo diferente rondava o ar,
ele tinha de escrever, algo novo a relatar!

Sabia que corria um risco, pensou na minhoca que quando sai do subsolo e vai de encontro ao sol, se agita, debate, agoniza e morre! Um pequeno receio o atormentou, mas não o suficiente para lhe fazer desistir!

-Tenho algo novo para escrever, e vou faze-lo!

Procurou uma caneta, ficou satisfeito ao encontrar um lápis, tinha que começar a escrever antes que as idéias fugissem. Um caderno? Nada! Só encontrou um anúncio de uma nova loja que acabara de se instalar na região.!

-Isto serve!

Sentou, estralou os dedos, pensou em levantar e pegar uma xícara de café, pois o cansaço estava tomando conta de seu corpo em frangalhos. Mas não! Não levantou, foi valente e determinado, também não poderia, o fato de levantar o faria esquecer das novas e belas palavras que estava prestes a passar para o papel, idéias que a muito tempo não surgiam em sua cabeça. Não se entregou a cafeína!
Colocou a ponta do grafite no papel...

...Silêncio, absoluto devaneio de uma mente inerte...

-Não! Como posso ser tão tolo?

Subitamente uma sutil realidade lhe abateu. Sutil como um trem que descarrila!

-Como posso ser tão tolo?

Repetiu a si mesmo, e por um breve momento se sentiu envergonhado. Sentiu-se como um verme que está prestes a sair do seu buraco e ir de encontro com os raios solares!
No instante que havia colocado o lápis no papel ele dirigiu sua visão a um quadro pendurado em frente à mesa, analisou aquele quadro barato e imaginou quantas pinturas semelhantes já não foram pintadas. Nem melhores e nem piores, apenas parecidas! Daí foi mais longe, lembrou de uma música que havia escutado mais cedo no trabalho, e a comparou com outra. De fato eram muito parecidas e se assemelhavam ainda mais agora. Seu desejo de escrever algo novo havia esbarrado numa velha dúvida!

-O que é novo?

Ansiedade, raiva, desespero, angústia, ódio...
Sim, sentiu todos esses e mais uma dezena de sentimentos vazios e horrendos que tomavam o lugar das belas palavras que já fazia questão de esquecer!

-Algo novo?

Pensou na sua ignorância, era apenas um motorista de ônibus, como poderia ter a audácia de querer escrever algo novo? Já tinha lido Aluísio Azevedo, Machado de Assis, Cruz e Souza e outros escritores, gostava de literatura, isso na sua infância, pois mais tarde recebera os ensinamentos corretos de seu pai – Escrever e ler não vai te encher a barriga moleque! – assim chegou a conclusão de que seu pai estava certo(eles sempre estão), então abandonou os livros, e foi fazer algo útil, algo que lhe desse futuro e conhecimento de verdade, pois aprendemos na prática, e não na leitura!
Agora essa vontade havia retornado. Porque escrever? Porque se aventurar em algo que não o levaria a nada? Felizmente para ele o óbvio de que “nada se cria” lhe tomou conta, pois afinal, palavras são todas iguais, um lápis no papel não significa mais nada além disso!

“Um lápis no papel e palavras repetidas”

Sentiu-se aliviado, quase cometera o despautério de escrever, de “ser um poeta”. Sua face rubrou, as pontas dos dedos levemente soltaram o lápis, encostou-se na cadeira e voltou a lembrar na xícara de café!

-Que tolice, não há nada a escrever, não há nada novo!

Levantou-se, abriu o armário e pegou sua xícara preferida, uma que tinha um pequeno lascado perto da asa, destrancou a garrafa térmica azul, despejou o líquido negro, saboroso (amargo como ele apreciava) e viciante, tomou um gole e sentiu como se estivesse sendo inundado pelos sabores que só o café lhe proporcionava, olhou para a mesa, viu o folheto e se interessou. Afinal de contas, a noite não estava totalmente perdida,

havia uma loja nova na cidade
algo novo de verdade!

Passou a mão no folheto, os olhos fixados nas ofertas, dirigiu a xícara aos lábios, degustou um segundo gole, as pupilas dilataram:

-Doze vezes sem juros? Essa loja nova é uma maravilha!

Velha inocência!

5 comentários:

Caos com Calma disse...

Sabe que eu adorei esse texto!!!!!!!! crítica sutil!!!!

Anônimo disse...

cara... me perdoa a sinceriade (más) ridiculo, talvez eu nao esteja a autura de interpretar um texto como DISPARATE... pra mim.... sem forma, vazio, inexpressante, cansativo, melancolico, sem sentido, sem fundamento, sem enrredo, sem desfeiche, sem pé nem cabeça!!!!!!!!!
espero que eu esteja na escala mais baixa de leitores e q minha opniao seja infudada. Mais teu texto é um lixo...

Patrick Lubawski disse...

hunnn, obrigado aldieres, seu comentário me fez pensar sobre o texto, li, reli, e por mais que eu tentei não encontrar o DESFECHO e o ENREDO, juro que minha ingnorância não conseguiu! vai ver que é um lixo mesmo, não está a sua ALTURA, más até mesmo nos locais mais absurdos conseguimos encontrar algo que possamos aproveitar! infelizmente nem tudo é compreendido, ainda bem, senão o mundo seria mais patético, MELANCÓLICO e RIDÍCULO! mas obrigado, sua OPINIÃO é importante!

Unknown disse...

ola...bom pra fala a real...adorei esse texto....naum eh um texto melancolico,sem sentido,nem muito menos sem fundamento.....
penso...q...manter a mente aberta...tem como capacidade de se preocupar c/ os outros...assim sigo esta frase de "Dalai-Lama"
"Mantenham a mente aberta, assim como a capacidade de se preocupar com a humanidade e a consciência de fazer parte dela" (Dalai-Lama)
Pois...."Fale a verdade, seja ela qual for, clara e objetivamente, usando um toque de voz tranqüilo e agradável, liberto de qualquer preconceito ou hostilidade". (Dalai-Lama)....
valeu...teu texto é otimo...
continua assim.....

Débora disse...

Bom, Paulo Leminski, muito conhecido como boêmio na sua cidade, sentado à mesa de um bar, foi abordado por um pseudo-escritor metido a intelectual critico:
- sabia que você só faz poesia de merda?!
Logo Lemiski retruca:
- a não, sobre merda eu nao fiz ainda, mais é uma boa ideia, obrigado.
E ele fez mesmo. O título é Merda e Ouro, e hoje é reconhecido por ela.

Infelizmente Patrick, às pessoas estao acostumadas com o ceticismo. As unicas 'historias' que são capazes de acolher são aquelas dos contos de fadas com inicio meio e fim, é sim, aquelas do sr. Walt Disney, ou dos grandes filmes Hollywoodianos onde o vilão morre e a mocinha bonita e loira fica com o galã no final, depois de terem enfrentado uma perseguição em alta velocidade - um exemplo ruleia porém eficaz.

Pois eu digo que as histórias, as prosas mais lindas que e ja li, já escutei ou ja vi, enfim, são muitas na sua maioria aquelas que nos fazem pensar depois que saimos do teatro, ou quando desligamos a Tv e não as que já vem prontas e rotuladas.

Desenhar o movimento do simples levantar da xicara do café, você faz isso todo o dia e nao para pra pensar no que faz, isso é poesia, reescrever os movimentos tão cronometrados e em sintonia com o desejo de beber que parece que tudo forma um grande passo de dança, e eu pergunto aos "pseudos-escritores metidos a intelectuais criticos" se ISSO NÃO É POESIA?
É a nossa rotina... O dia-a-dia que ficou muito bem encaixado nas suas palavras, principalmente pra quem o interpreta da maneira correta. Quanto ao texto em si, achei-o doce na medida certa, muito bem detalhado, parabéns.
salvo todos os erros de portugues por favor :]