2 de set. de 2008

DEVANEIO EM CAMINHADA por Patrick Lubawski

Um mil novecentos e oitenta e quatro, um mil novecentos e oitenta e cinco, um mil novecentos e oitenta e seis.

Não me perco nessa conta enquanto caminho, passos lentos (porém firmes) e decididos (para lugar algum). Cada passo que dou neste calcário irregular me traz inesquecíveis e saborosas lembranças do tempo em que meus pés tocavam a areia fina, salgada e irretocável que faz companhia ao mar.

Estou sozinho agora, vagando, sonhando... contando (um mil novecentos e noventa) e tentando encontrar algo positivo nesse lugar.

Um céu acinzentado que me faz lembrar do gosto forte e asfixiante da fumaça de um cigarro, uma estrada que parece não ter fim (assim como os buracos nela), algo que vagamente me faz sentir o vazio que insiste em permanecer inerte em meu coração.

Olho ao horizonte e não consigo ver sequer um único, salvador e gratificante raio solar.

Paro para pensar, fecho os olhos, dilato as narinas, sinto a brisa que toca o meu rosto (assim como uma mãe que afaga o filho após ter lhe castigado).

Será que “eu” sou o problema?

Não vejo nada de bom, não tenho mais esperança?...


Não... Não é isso!


Prefiro ver as coisas de outra maneira. Não vejo positivismo por que

QUANDO COMEÇAMOS A VER BELEZA EM TUDO AO NOSSO REDOR MESMO ESTANDO SOZINHOS, ACABAMOS NOS ACOSTUMANDO COM A SOLIDÃO!


e, definitivamente, isto eu não procuro e não desejo de forma alguma!


Volto a andar, a sorrir e a contar...

dois mil e sete, dois mil e oito...

Um comentário:

Caos com Calma disse...

tem dias...que vc me emociona demais!!!